Simplicidade, Racionalidade e
Praticalidade
O Islã é uma religião sem qualquer mitologia.
Seus ensinamentos são simples e inteligíveis. É livre de superstições e
crenças irracionais. A unicidade de Deus, a missão profética de Muhammad, e o
conceito de vida após a morte são artigos básicos de sua fé. São baseados na
razão e lógica sólida. Todos os ensinamentos do Islã fluem dessas crenças
básicas e são simples e diretos. Não existe hierarquia de sacerdotes, nem
abstrações forçadas, nem ritos ou rituais complicados.
Todos podem abordar o Alcorão
diretamente e aplicar seus ensinamentos na prática. O Islã desperta no homem a
faculdade da razão e o exorta a usar seu intelecto. O encoraja a ver as coisas
à luz da realidade. O Alcorão o aconselha a buscar conhecimento e invocar a
Deus para expandir sua consciência:
“Dize: ‘Ó meu Senhor! Aumente meu conhecimento.’”
Deus também diz:
“Poderão, acaso, equiparar-se os
sábios com os insipientes? Mas apenas homens de entendimento prestarão
atenção.” (Alcorão 39:9)
É relatado que o Profeta, que a
misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, disse:
“Aquele que deixa sua casa em busca de conhecimento anda no caminho de Deus.”
E que
“Buscar conhecimento é obrigatório para cada muçulmano ou muçulmana.”
É assim que o Islã tira o homem
do mundo de superstição e escuridão e o inicia no mundo do conhecimento e luz.
O Islã é uma religião prática e
não permite indulgência em teorização vazia e fútil. Diz que a fé não uma mera
profissão de crenças, mas o motivo principal da vida. A conduta virtuosa deve
vir acompanhada da crença em Deus. A religião é algo a ser praticado e não
algo da boca para fora. O Alcorão diz:
“Os crentes que praticam o bem terão a bem-aventurança e um feliz retorno.”
Também é relatado que o Profeta
disse:
“Deus não aceita crença se não é expressa em ações, e não aceita ações se não estão em conformidade com a crença.”
Sendo assim, a simplicidade,
racionalidade e praticalidade são o que caracterizam o Islã como uma religião
verdadeira e única.
Unidade de Matéria e Espírito
Uma característica única do
Islã é que ele não divide a vida em compartimentos de matéria e espírito. Não
se posiciona pela negação da vida mas pelo seu preenchimento. O Islã não
acredita no ascetismo. Não pede ao homem para evitar as coisas materiais. Mantém
que a elevação espiritual deve ser alcançada por uma vida virtuosa nas
dificuldades da vida, não pela renúncia ao mundo. O Alcorão nos aconselha a
orar como se segue:
“Ó Senhor nosso! Concede-nos a graça deste mundo e do futuro, e preserva-nos do tormento infernal!”
Mas ao fazer uso dos luxos da
vida, o Islã aconselha ao homem a ser moderado e se afastar da extravagância.
Deus diz:
“...comei e bebei; porém, não vos excedais, porque Ele não aprecia os perdulários.”
Sobre esse aspecto de
moderação, o Profeta disse:
“Observe o jejum e o
quebre (no momento certo) e ore e faça devoção (à noite) mas durma, porque seu
corpo tem direitos sobre você e seus olhos têm direitos sobre você e sua esposa
tem direito sobre você, e a pessoa que o visita tem direito sobre você.”
Consequentemente, o Islã não
admite qualquer separação entre “material” e “moral”, vida “mundana” e
“espiritual”, e encoraja o homem a devotar todas as suas energias à
reconstrução da vida com fundações morais saudáveis. O ensina que poderes
materiais e morais devem estar juntos e que a salvação espiritual pode ser
alcançada usando recursos materiais para o bem do homem no serviço de fins
justos e não vivendo uma vida de ascetismo ou fugindo dos desafios da vida.
O mundo sofreu nas mãos dos
unilaterais de muitas outras religiões e ideologias. Alguns enfatizaram o lado
espiritual da vida mas ignoraram seus aspectos material e mundano. Olharam
para o mundo como uma ilusão, uma fraude e uma armadilha. Por outro lado,
ideologias materialistas ignoraram totalmente o lado espiritual e moral da vida
e o descartaram como se fosse fictício e imaginário. Ambas as atitudes
resultaram em desastre, porque destituíram a humanidade de paz, contentamento e
tranquilidade.
Mesmo hoje o desequilíbrio se
manifesta em uma direção ou outra. O cientista francês, Dr. De Brogbi, diz de
forma correta:
“O perigo inerente em uma
civilização material tão intensa é para a própria civilização; é o
desequilíbrio que resultaria se um desenvolvimento paralelo da vida espiritual
fracassasse em fornecer o equilíbrio necessário.”
O Cristianismo errou em um
extremo, enquanto que a civilização ocidental moderna, em suas variantes de
democracia capitalista secular e socialismo marxista, errou em outro. De acordo com Lorde Snell:
“Construímos uma estrutura
externa de proporções nobres, mas negligenciamos o requisito essencial de uma
ordem interior; planejamos cuidadosamente, decoramos e limpamos o lado de fora
da xícara, mas o interior está cheio de extorsão e excesso; usamos nosso
conhecimento e poder aumentados para administrar os confortos do corpo, mas
deixamos o espírito empobrecido.”
O Islã busca estabelecer o
equilíbrio entre esses dois aspectos da vida – o material e o espiritual. Diz
que tudo no mundo é para o homem, mas o homem foi criado para servir a um
propósito maior: o estabelecimento de uma ordem moral e justa que atenderá a
vontade de Deus. Seus ensinamentos atendem as necessidades espirituais e
temporais do homem. O Islã encoraja o homem a purificar sua alma e reformar
sua vida diária – tanto individual quanto coletivamente – e a estabelecer a
supremacia do certo sobre o poder e da virtude sobre o vício. Sendo assim o
Islã opta pelo caminho do meio e o objetivo de produzir um homem moral no
serviço de uma sociedade justa.
Islã, um Estilo de Vida Completo
O Islã não é uma religião no
sentido comum e distorcido, porque não restringe seu escopo à vida privada. É
um estilo de vida completo e está presente em todos os campos da existência
humana. O Islã provê orientação para todos os aspectos da vida – individual e
social, material e moral, econômico e político, legal e cultural, e nacional e
internacional. O Alcorão encoraja o homem a abraçar o Islã sem qualquer
reserva e a seguir a orientação de Deus em todas as áreas da vida.
De fato, foi um dia infeliz
quando o escopo da religião ficou confinado à vida privada do homem e seu papel
social e cultural foi reduzido a nada, como aconteceu nesse século. Talvez
nenhum outro fator tenha sido mais importante na causa do declínio da religião
nos tempos modernos do que seu afastamento para o campo da vida privada. Nas
palavras de um filósofo moderno: “A religião nos pede para separar as coisas de
Deus das de César. Tal separação judicial significa a degradação tanto do
secular quanto do sagrado... A religião não tem valor quando a consciência de
seus seguidores não é perturbada quando a guerra paira sobre todos nós e
conflitos industriais ameaçam a paz social. A religião enfraqueceu a
consciência moral e a sensibilidade moral do homem ao separar as coisas de Deus
das de César."
O Islã denuncia totalmente esse
conceito de religião e afirma de forma clara que seus objetivos são a
purificação da alma e a reforma e reconstrução da sociedade. Como lemos no
Alcorão:
“Enviamos os Nossos mensageiros com
as evidências: e enviamos, com eles, o Livro e a balança, para que os humanos
observem a justiça; e criamos o ferro, que encerra grande poder (para a guerra),
além de outros benefícios para os humanos, para que Deus Se certifique de quem
O secunda intimamente, a Ele e aos Seus mensageiros. Sabei que Deus é Poderoso,
Fortíssimo.” (Alcorão 57: 25)
Deus também diz:
“O juízo somente pertence a Deus, que vos ordenou não adorásseis senão a Ele. Tal é a verdadeira religião; porém, a maioria dos humanos o ignora.”
Portanto, mesmo um estudo
superficial dos ensinamentos do Islã mostra que é um estilo de vida abrangente
que não permite que nenhum ramo da existência humana se torne um playground
para as forças do mal.