Abba da
Bíblia
Os cristãos se referem a Deus
como Pai em seus credos, orações e liturgia. Deus, o Pai, é visto como uma das
três pessoas da Trindade. Acreditam que o Pai tem um Filho, Jesus. Os
cristãos acham que somente eles têm uma relação pessoal, tanto com o Pai quanto
com o Filho. Diz-se que Abba seja a transliteração da palavra aramaica
para pai. É sempre usada com dirigindo-se diretamente a Deus, o Pai. Aparece
três vezes em todo o Novo Testamento e somente uma vez em um evangelho. Em
Marcos 14:36 ("Aba, Pai, tudo te é possível."). As outras duas
ocorrências estão nas cartas de Paulo, em Rom 8:15 e Gal 4:6.
Existe um grande debate entre
escritores judaicos e cristãos sobre a natureza de Deus como um pai ou abba
(a palavra aramaica para pai). O debate começou com o que um sábio luterano
alemão, Joachim Jeremias, escreveu em seu livro,
"The Prayers of Jesus" (As orações de Jesus), traduzido por John
Bowden. Seu argumento essencial era repetido de maneiras ligeiramente
modificadas pela maioria dos cristãos. Edward
Schillebeeckx tornou-o popular entre católicos
romanos em seu livro "Jesus".
O que Jeremias afirmava basicamente era
que, primeiro, "abba" representa um uso especial por Jesus que era central aos
seus ensinamentos; segundo, que para Jesus isso expressava um tipo especial de
intimidade e ternura que derivava da origem da palavra "abba", a partir de
conversa de criança; terceiro, que era diferente da prática do Judaísmo. Seu
ponto era que Jesus se referindo a Deus como Abba não deriva do Velho
Testamento ou de seu pano de fundo palestino judeu. Ao invés disso, representa
sua relação única com o "Pai". Portanto, alguns escritores cristãos
prosseguiram dizendo que Deus pode ser chamado como "papai", a maioria dizendo
que é muito informal e desrespeitoso. Escritoras cristãs feministas tinham um
problema sério com a ideia de Deus como masculino e escreveram vários livros de
crítica.
Enquanto a maioria na igreja
contemporânea simplesmente repete os pontos acima e os usam como base para a
teologia popular,
isso foi muito criticado. Mary Rose D’Angelo destaca evidência contra isso no
artigo ‘Abba and "Father": Imperial Theology and the Jesus Traditions’ ("Abba
e "Pai"": Teologia imperial e as tradições de Jesus") [2]. Vários
autores judeus como Alon Goshen-Gottstein
apresentaram evidências de que rabinos e judeus usavam "abba" para se referir a
Deus.
S. Vernon McCasland da Universidade de
Virgínia escreveu: "A expressão "Abba, Pai" ocorre apenas três vezes no Novo
Testamento...(ela) apresenta um desafio por causa da forma como tem desafiado
os tradutores desde o começo até nossos dias. As 27 traduções a seguir que
consultei ilustram o problema... Quase sem exceção ela foi simplesmente
transliterada. Ainda assim, Abba não é uma palavra da língua inglesa, nem
latina, alemã, francesa ou espanhola e nenhum leitor, na maioria dos casos, a
menos que seja um semita, pode fazer muito além de supor o que ela significa.
Impressiona o leitor desinformado como uma fórmula incompreensível de algum encantamento
mágico. A maioria dos tradutores a deixou como se estivesse carregada com uma
força sobrenatural mortal."
Rabb do
Alcorão
Quando nos voltamos para o Alcorão, ele
esclarece que nem Deus tem um filho, nem Deus é um pai. Muitos cristãos, quando
ouvem isso de mim, acham que não temos relação com Deus porque os cristãos se
relacionam com Deus em termos humanos de pai e filho. Veem os cristãos como
tendo uma relação "pessoal" com Jesus e com o Pai, mas "Allah" parece um ser
distante para eles.
A relação dos muçulmanos com Deus é
expressa em Rabb, ou mais adequadamente ar-Rabb, um dos nomes de
Deus mais repetidos no Alcorão, a escritura muçulmana. É o nome mais comum com
o qual Deus é invocado pelos profetas e pelas orações dos virtuosos. O nome é
claro em seu significado e captura de forma bela a relação profunda com Deus.
Linguisticamente, de acordo com Ibn
Faris,
os árabes antigos usavam a palavra rabb com os seguintes significados:
·Corrigir o que está errado
e manter. Rabb é o mestre, criador e mantenedor.
·Ficar próximo a algo.
·Unir algo a outra coisa.
No Alcorão a palavra Rabb quando
aplicada a Deus significa :
1.Rabb é o Mestre que não tem igual, um Mestre que cerca completamente Sua
criação com Suas dádivas.[8]
2.Rabb é Aquele que nutre Sua criação e ainda assim, não é seu pai. Rabb
nutre Seu povo, levando-o de uma fase da vida a outra, cobrindo-o com Suas
bênçãos e sustentando-o durante todo esse tempo. Rabb fornece à Sua
criação os meios de sobrevivência, já que somente Ele controla os tesouros dos
céus e da terra.
3.Rabb nutre os corações, almas e o caráter de Seus amados.[9] As
orações dos profetas e virtuosos no Alcorão invocando o nome Rabb torna
claro esse significado:
A oração de Abraão: "Ó Senhor (Rabb) meu, concede-me prudência e junta-me aos virtuosos!"
A oração dos virtuosos: "Ó Senhor (Rabb) meu, concede-me perdão e misericórdia, porque Tu és o melhor dos misericordiosos!"
"Ó Senhor (Rabb) nosso, nós mesmos nos condenamos e, se não nos perdoares a Te apiedares de nós, seremos desventurados!"
"Ó Senhor (Rabb) meu, perdoa-me a mim e aos meus pais."
Por fim, a palavra ar-Rabb é
repetida no Alcorão como o Rabb de "todos os mundos", "de tudo", "de
Moisés e Aarão", "do grande Trono", "dos céus e da terra" e "do Oriente e do
Ocidente."
Ver entrada ‘Fatherhood of God’ em Baker’s Evangelical Dictionary of Biblical
Theology.
Mary Rose D’Angelo, Journal of Biblical Literature, vol. 111, No. 4
(Winter, 1992), pp. 611-630. Publicado por: The Society of Biblical
Literature.
Ver "God the Father in Rabbinic Judaism and Christianity: Transformed
Background or Common Ground?" em Journal of Ecumenical Studies, 38:4, Spring
2001.
Ver "The Jewish Sources Of The Sermon On The Mount" publicado por Kessinger
Publishing, LLC (11 de Janeiro, 2005).
Ver "Abba, Father" de S. Vernon McCasland, Journal of Biblical Literature,
vol. 72, No. 2 (Jun., 1953), pp. 79-91. Publicado por: The Society of
Biblical Literature.
Abu al–Husayn Ahmad b. Faris b. Zakariyyah b. Muhammad b. Habib se
tornou conhecido, em vista de sua especialidade, como "lexicógrafo/linguista" (al–Lughawi).
Pelo título de seu livro incorporando o conceito de "Lei da Linguagem" ele pode
ser considerado como o "Pai da linguística". Estudou em Qazwin, ganhou
proeminência em Hamadan e morreu em Rayy em 395 H (1004/1005 CE). A
contribuição principal de Ibn Faris consiste de seus trabalhos importantes nas
áreas cognatas de etimologia, filologia, lexicografia e linguística, como:
(i) O livro sobre os
princípios da linguagem (Kitab Maqa’is al–Lugha)
(ii) O livro de
generalidades/Síntese em linguagem (Kitab al–Mujmal fi al–Lugha)
(iii) Al–Sahibi (A lei
da linguagem e os usos da linguagem e os usos dos árabes em seus discursos). (http://islamicencyclopedia.org/public/index/topicDetail/id/107)
Shar’ Asma il-Allahi Ta’ala al-Husna do Dr. Hassa al-Saghir,
p. 123-125
cf. Tafsir Ibn Jarir e Tafsir Ibn Kathir
Taisir al Karim al-Rahman, vol5, p. 485