Muitas pessoas não entendem o desafio
literário do Alcorão para que se produza algo semelhante a ele.
Supõem que significa simplesmente escrever algo tão “bom” quanto o Alcorão.
Por conta disso, muitos céticos
destacam – corretamente – que julgamentos de valor literário são altamente
subjetivos. Se alguém diz que considera certa seleção de prosa ou poesia
melhor do que o Alcorão, quem poderia argumentar com ele? Trata-se realmente
de uma questão de julgamento e gosto pessoais? Quem seria o árbitro?
O desafio do Alcorão, entretanto, não é
simplesmente escrever algo de mérito literário igual, mas produzir algo como o
Alcorão.
Isso pode ser visto em todos os
versículos de desafio. Deus diz:
“Dize (Ó Muhammad) se a humanidade e os gênios se unissem para produzir algo como esse Alcorão, não o conseguiriam, mesmo se ajudassem uns aos outros.”
Deus diz:
“Ou eles dizem: ‘Ele o forjou.’ Dize: ‘Pois bem, apresentais dez suratas forjadas, semelhantes às dele, e pedi (auxílio), para tanto, a quem possais, em vez de Deus, se estiverdes certos. Porém, se não fordes atendidos, sabei, então, que este (Alcorão) foi revelado com a anuência de Deus e que não há mais divindade além d’Ele. Sereis, então, muçulmanos?.’”
Deus diz:
“Ou eles dizem: ‘Ele o forjou.’ Dize: ‘Trazei um capítulo como esse e chamai, se puderes, outro senão Deus, se sois verídicos’”
Deus diz:
“E se estais em dúvida acerca do que fizemos descer sobre Nosso servo, fazei vir uma surata igual a um único capítulo, e convocai vossas testemunhas ao invés de Deus se sois verídicos.” Mas se não o fizerdes – e não o fareis – guardai-vos do Fogo, cujo combustível são os homens e as pedras, preparado para os descrentes.”
Portanto, não é simplesmente uma
questão de qualidade – não tem nem que ser de mérito igual! Semelhança é tudo
que importa. O que é exigido pelo desafio é alcançar pelo menos um nível
comparável da beleza literária, nobreza e sublimidade do Alcorão enquanto que
ao mesmo tempo imita o estilo particular do Alcorão.
É possível imitar superficialmente o
estilo do Alcorão e muitas pessoas foram bem sucedidas ao fazê-lo – mas todas
as tentativas desde os dias de Musailimah até o presente provaram ser tolas e
absurdas e com freqüência invocaram risos e escárnio. Esse é um consenso
unânime de todos que ouviram ou leram essas tentativas.
Da mesma forma, é possível para uma
pessoa que escreva em árabe alcançar um alto nível de excelência literária e,
na mais comovente poesia e prosa, transmitir os pensamentos e sentimentos mais
nobres – mas ninguém jamais fez isso usando o estilo particular do Alcorão.
E que estilo indefinível ele provou
ser! O Alcorão não está nem em prosa árabe e nem no que é reconhecido como
verso árabe. Não está escrito em uma combinação de prosa e poesia, mas em
nenhuma dessas formas. É único. Ao mesmo tempo, o Alcorão é internamente
consistente na manutenção de seu estilo único.
Somente o Alcorão tem o mais alto nível
de excelência literária – a ponto de levar as pessoas ao êxtase e às lágrimas –
enquanto mantém esse estilo.
Este, então, é o teste difícil: escreva
algo no mesmo estilo do Alcorão e ao fazê-lo produza algo de qualidade e
sublimidade semelhante.
Ainda assim, pode-se argumentar que a
avaliação dos resultados continua baseada em gostos literários subjetivos. De
acordo. Entretanto, a segunda parte do desafio é trazer testemunhas para
atestar a qualidade dessa avaliação, não apenas fazer a reivindicação.
Ao longo da história as pessoas têm
tentado escrever no estilo do Alcorão. Os resultados têm sido sempre tão
risíveis que ninguém se aventuraria em dizer que acredita que seu esforço se
equipara ao Alcorão em mérito literário. A razão porque ninguém ousaria
fazê-lo não é medo de represálias – como alguns céticos sugeriram – mas o medo
de parecer um completo idiota. Um dos primeiros exemplos foi:
Al-Feel
Mal-Feel
Wa maa adraaka mal-feel
Lahu dhanabun radheel, wa khurtoomun taweel
...que se traduz como:
O Elefante -
O que é o elefante?
E o que faria você entender o que
é o elefante?
Ele tem um rabo áspero e uma
tromba muito comprida.
Podemos garantir que essa é uma
tentativa bem sucedida de imitar o estilo superficial do Alcorão. Está
claramente moldada nos versos de abertura da surata al-Qariah ou Surata
al-Haaqqah. Entretanto, com esse modelo, não é surpresa que as pessoas não
estejam dispostas a colocar sua reputação em risco para atestar sua excelência
literária.
Devemos fazer uma pausa para
considerar: que outro estilo literário produziu um grande trabalho literário
indisputável e, ao mesmo tempo, com certeza causará o mais fragoroso fracasso a
qualquer um que tente experimentá-lo?
Geralmente não é uma má idéia um
escrito imitar um estilo bem sucedido. Entretanto, um desafio para produzir um
único capítulo como o Alcorão – o capítulo mais curto tendo apenas três
versículos de extensão moderada – se mostrou impossível de ser satisfeito.
Devemos lembrar que nem todos os que
falam árabe são muçulmanos. Muitos são cristãos e judeus. Alguns são ateus. Vivem
em todas as partes do mundo. Entre todos esses não-muçulmanos árabes, existem
poetas e escritores de prosa de destaque e importante críticos literários. Nenhum
deles reivindica que eles ou alguma outra pessoa tenha produzido um trabalho
literário que se assemelhe ao Alcorão, tanto no estilo quanto na qualidade.
Para alguém que fala árabe, isso é uma
coisa óbvia. Qualquer árabe que olhe para as tentativas das pessoas de
escreverem no estilo do Alcorão geralmente cai na gargalhada por conta de sua
inabilidade ou banalidade.
Os que não falam árabe, embora não
possam ter essa experiência diretamente, podem averiguar que nenhuma
reivindicação literária séria foi feita.
Com certeza, existe subjetividade em
qualquer avaliação literária. Isso seria um problema em um desafio com um
único juiz ou um grupo de juízes, ou se houvesse um critério tendencioso como
“apenas sábios muçulmanos podem ser juízes”.
Entretanto, não há tal restrição no
desafio.
O consenso geral da comunidade literária internacional
árabe – e das massas árabes – é de que não existe nada que satisfaça o desafio.
Isso é um padrão objetivo de avaliação.