"Sabei que Deus possui total controle sobre os Seus assuntos; porém, a maioria dos humanos o ignora."
A história de José confirma incondicionalmente que Deus
tem controle total sobre todos os assuntos. A trapaça e engodo dos irmãos de
José só foram bem-sucedidos na preparação de José para a grande posição que
alcançaria. A história de José descreve a onipotência de Deus e dá um relato
preciso de Seu poder e supremacia. A história começa com engodo, mas termina
com conforto e alegria. Uma recompensa adequada para a paciência e submissão
total à vontade de Deus que José exibe durante sua longa jornada, confrontando
estratagemas e trapaças daqueles ao seu redor.
A paciência que José aprendeu a partir de sua provação o
colocou entre os homens virtuosos. Sua linhagem era impecável, seu tataravô,
avô e pai também eram profetas. Nas tradições cristã e judaica, esses homens
eram conhecidos como Abraão, Isaque e Jacó.
Trapaça e engodo
Quando os filhos mais velhos de Jacó pediram permissão
para levar José para o deserto brincar, o temor tomou conta do coração de
Jacó. Desde as primeiras palavras deles Jacó suspeitou de trapaça e expressou
seu temor de que um lobo pegasse José. Jacó disse:
"Respondeu-lhes: Sem dúvida que me condói que o leveis, porque temo que o devore um lobo, enquanto estiverdes descuidados."
Satanás trabalha de maneiras sutis e enganadoras e com
suas palavras Jacó sem querer supriu seus filhos com a razão perfeita para o
desaparecimento de José. Os irmãos souberam imediatamente que colocariam a
culpa do desaparecimento de José sobre um lobo e isso se tornou parte de seu
plano covarde. Por fim Jacó concordou e José partiu com seus irmãos em uma
viagem para o deserto.
Foram diretamente para o poço e, sem remorso, pegaram
José e o jogaram dentro do poço. José gritou de medo, mas seus corações cruéis
não sentiram pena do irmão mais novo. Os irmãos se sentiram seguros em seu
plano de que um viajante encontraria José e o venderia como escravo. Enquanto
José gritava aterrorizado, os irmãos pegaram um pequeno cabrito ou ovelha de
seu rebanho, abateram e jogaram o sangue nas roupas de José. Totalmente
consumidos pela inveja, os irmãos fizeram uma promessa de manter seu ato
terrível em segredo e se afastaram satisfeitos consigo mesmos. Aterrorizado
José escalou até uma borda no poço e Deus lhe fez saber que um dia ele
confrontaria seus irmãos. Disse a José que chegaria o dia em que ele falaria
com seus irmãos sobre esse evento terrível, mas os irmãos não saberiam que
estavam falando com José.
"Algum dia hás de inteirá-los desta sua ação, mas eles não te conhecerão."
Chorar não é evidência de verdade.
Os irmãos voltaram para o pai chorando. Estava escuro e
Jacó estava sentado em casa esperando ansiosamente pelo retorno de José. O som
dos dez homens chorando confirmou seu temor mais profundo. A escuridão da
noite só foi equiparada à escuridão de seus corações. As mentiras saíram
facilmente de suas línguas e o coração de Jacó se contraiu em temor.
"Disseram: Ó pai, estávamos apostando corrida e deixamos José junto à nossa bagagem, quando um lobo o devorou. Porém, tu não irás crer, ainda que estejamos falando a verdade! Então lhe mostraram sua túnica falsamente ensanguentada; porém, Jacó lhes disse: Qual! Vós mesmos tramastes cometer semelhante crime! Porém, resignar-me-ei pacientemente, pois Deus me confortará, em relação ao que me anunciais."
Em uma história dos homens virtuosos que vieram depois
do profeta Muhammad, há o caso de um juiz muçulmano que estava decidindo a
questão de uma mulher idosa. Os detalhes do caso não são importantes, mas a
idosa estava chorando muito. Com base em evidências o juiz julgou contra ela.
Um amigo do juiz disse: "Ela estava chorando muito, é idosa, por que não
acreditou nela?" O juiz disse: "Não aprendeu do Alcorão que chorar não é
evidência da verdade? Os irmãos de José foram para o pai chorando." Estavam
chorando, mas cometeram o crime.
Jacó e José estavam entre os homens mais nobres. O
profeta Muhammad descreveu José como o mais digno e generoso dos homens. Ao
ser perguntado quem era o homem mais temente a Deus, ele respondeu:
"A pessoa mais honrada é José, profeta de Deus, o filho do profeta de Deus, o filho do servo amado de Deus (Abraão)"
Enquanto José sentava no
poço, aterrorizado, mas seguro em sua submissão a Deus, Jacó, a muitos
quilômetros de distância, sentia seu coração apertado pelo temor e pela dor,
mas sabia que seus filhos estavam mentindo. Como esperado de um profeta de
Deus, com lágrimas rolando pelo seu rosto, Jacó disse:
"Qual! Vós mesmos tramastes cometer semelhante crime! Porém, resignar-me-ei pacientemente, pois Deus me confortará, em relação ao que me anunciais."
Era um dilema para Jacó. O que devia fazer? Sabia que
seus filhos estavam mentindo, mas quais eram suas opções? Matar seus filhos?
Devido à sua submissão completa a Deus, Jacó sabia que esse assunto estava fora
de suas mãos. Não tinha opção a não ser confiar em Deus e se voltar para Ele
com esperança e paciência.
No fundo do poço, José orava. Pai e filho se voltaram
para Deus na escuridão da noite. Uma mistura de temor e esperança encheu seus
corações e a noite abriu caminho para um novo dia. Para Jacó o dia significava
o começo de muitos anos a serem preenchidos com confiança em Deus e paciência.
Para José, os raios do sol da alvorada refletiram nas bordas do poço. Se
pudesse ver o horizonte, teria visto uma caravana se aproximando. Minutos
depois um homem jogou seu balde no poço esperando encontrar água fresca e
limpa.
Saheeh Al-Bukhari.