Essa irmandade universal pregada pelo
Islã foi advogada pelos Companheiros do Profeta depois dele. Quando o
Companheiro Ubada bin as-Samit liderou uma delegação a Muqawqis, o patriarca
cristão de Alexandria, o último exclamou: “Tire esse negro de minha frente e
traga outro para falar comigo! ... Como podem ficar satisfeitos que um
negro seja o mais destacado entre vocês? Não é mais adequado que ele esteja
abaixo de vocês?” “De fato, não!” responderam os companheiros
de Ubada, “Embora seja negro como se pode ver, ele é o mais destacado entre nós
em posição, inteligência e sabedoria, porque o negro não é desprezado entre
nós.”
“Em verdade, os crentes são irmãos uns dos outros...”
É o Hajj, ou peregrinação a Meca, que
permanece o símbolo supremo da unidade e irmandade do homem. Aqui, ricos e
pobres de todas as nações ficam de pé e se curvam em uníssono perante Deus no
que é a maior congregação da humanidade, testemunhando as palavras do Profeta
quando ele disse:
“Na verdade não existe excelência de um árabe sobre um não-árabe ou de um não-árabe sobre um árabe; ou de um branco sobre um negro ou de um negro sobre um branco, exceto em piedade.”
E isso confirma o Alcorão, que diz:
“Ó humanos! Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente. Sabei que Deus é Sapientíssimo e está bem inteirado.”
Quanto ao nacionalismo, com sua divisão
de muçulmanos em linhas étnicas ou tribais, é considerado uma inovação prejudicial.
“Se vossos pais, vossos filhos, vossos irmãos, vossas esposas, vossa tribo, os bens que tenhais adquirido, o comércio, cuja estagnação temeis, e as casas nas quais residis, são-vos mais queridos do que Deus e Seu Mensageiro, bem como a luta por Sua causa, aguardai, até que Deus venha cumprir os Seus desígnios. Sabei que Ele não ilumina os rebeldes.”
O Profeta disse:
“... quem quer que lute sob a
bandeira do subterfúgio, ficando furioso por causa do nacionalismo, conclamando
ao nacionalismo ou dando apoio ao nacionalismo e morre, morre a morte da
jahiliyah (ou seja ignorância e descrença preislâmicas).” (Saheeh Muslim)
Ao invés disso, o Alcorão diz:
“Enquanto os descrentes fomentaram o fanatismo - fanatismo da idolatria - em seus corações Deus infundiu o sossego em Seu Mensageiro e nos crentes...”
De fato, os muçulmanos constituem um único corpo e
supranação, como o Profeta explicou:
“A parábola dos crentes em seu amor e misericórdia mútuos é como a de um corpo vivo: se uma parte sente dor, o corpo inteiro sofre, sem dormir e com febre.”
O Alcorão confirma essa unidade:
“E, deste modo, (ó muçulmanos), constituí-vos em uma nação equilibrada...”
Talvez uma das maiores barreiras à
aceitação do Islã da parte muitos ocidentais seja a falácia de que é uma
religião primariamente para orientais ou pessoas de pele escura. Sem dúvida,
injustiças raciais contra muitos negros, sejam escravos abissínios da Arábia preislâmica
ou os afroamericanos do século 20, fez com que muitos abraçassem o Islã. Mas
isso não vem ao caso. O próprio Profeta Muhammad era de complexão clara,
descrito por seus Companheiros como sendo “branco e rosado” – uma descrição que
muitas dezenas de milhões de árabes, berberes e persas crentes compartilham. Até
louros de olhos azuis não são tão raros entre os habitantes do Oriente Próximo.
Além disso, a Europa tem mais muçulmanos brancos nativos do que seus imigrantes
“de cor”. Os bósnios, por exemplo, que foram dizimados no final do século 20,
mas que devido ao seu heroísmo e tradição de tolerância contribuíram muito para
a paz e estabilidade dos Bálcãs. Os albaneses, descendentes dos antigos
ilírios da Europa, também são majoritariamente muçulmanos. De fato, um
destacado sábio muçulmano do século 20, Imame Muhammad Nasir-ud-Deen al-Albani,
era, como seu título sugere, albanês.
“Em verdade, criamos os humanos na melhor das formas.”
Brancos têm sido chamados de
“caucasianos” desde que antropólogos declararam que as montanhas do Cáucaso,
lar dos picos mais altos da Europa, o “Berço da Raça Branca.” Hoje, os nativos
dessas montanhas são muçulmanos. Entre muitos, uma tribo menos conhecida de
bravos montanheses e donzelas louras estão os circássios, famosos por sua
bravura e beleza que, como os governantes mamelucos da Síria e Egito, ajudaram
a defender o mundo civilizado e proteger suas terras sagradas dos ataques das
hordas mongóis. Então existem os chechenos brutalizados, questionavelmente as
criaturas de Deus mais difíceis de controlar, cuja tenacidade e resistência têm
ajudado a evitar que tenham o mesmo destino dos circássios. Enquanto isso,
mais de 1.000.000 de brancos caucasianos norte-europeus e americanos –
anglo-saxões, francos, germanos, escandinavos e celtas incluídos – agora
professam o Islã. De fato, o Islã entrou de forma pacífica em partes da Europa
antes do Cristianismo, quando: “Muito tempo atrás, quando os eslavos russos
ainda não tinham começado a construir igrejas cristãs no Oka, nem conquistado
esses lugares em nome da civilização européia, os protobúlgaros já ouviam o
Alcorão nas margens do Volga e do Kama.” (Solov’ev, 1965) [Em 16 de maio de 922
o Islã se tornou a religião de estado oficial dos protobúlgaros do Volga, com
os quais os búlgaros de hoje compartilham uma ancestralidade comum.]
Toda fé além do Islã chama para a
adoração da criação de algum modo, aspecto ou forma. Além disso, raça e cor
desempenham um papel central e divisor em quase todos os sistemas de crença
não-islâmicos. Uma deificação cristã de Jesus e dos santos ou uma deificação
budista de Buda e os dalai lamas têm pessoas de uma raça e cor particular sendo
adorada em detrimento de Deus. No Judaísmo, a salvação é negada aos gentios
não-judeus. O sistema de castas do Hinduísmo, da mesma
forma, restringe as aspirações econômicas, sociopolíticas e espirituais das
castas mais baixas e “impuras”. O Islã, entretanto,
busca unir e unificar todas as criaturas do mundo com base na Unidade e Unicidade
de seu Criador. Sendo assim, somente o Islã libera
todas as pessoas, raças e cores na adoração de Deus somente.
“E entre os Seus sinais está a criação dos céus e da terra, as variedades dos vossos idiomas e das vossas cores. Em verdade, nisto há sinais para os que discernem.”