“Constatarás que os piores inimigos dos crentes, entre os humanos, são os judeus e os idólatras. Constatarás que aqueles que estão mais próximos do afeto dos fiéis são os que dizem: “Somos cristãos!”, porque possuem sacerdotes e não ensoberbecem de coisa alguma. E, ao escutarem o que foi revelado ao Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes brotarem nos olhos; reconhecem naquilo a verdade, dizendo: Ó Senhor nosso, cremos! Inscreve-nos entre os testemunhadores!”
Foi o que aconteceu com o ex-padre
católico britânico Idris Tawfiq na recitação do livro sagrado do Islã, o
Alcorão, para seus alunos em uma escola na Grã-Bretanha. E esse foi um dos
passos importantes em sua jornada de conversão ao Islã.
Durante uma palestra recente que deu no
British Council no Cairo, Tawfiq deixou claro que não tem arrependimentos em
relação ao seu passado e em relação ao que os cristãos fazem e sua vida no
Vaticano por cinco anos.
“Gostei de ser um padre que ajudou as
pessoas por alguns anos. Entretanto, no fundo não estava feliz e sentia que
havia algo que não estava certo. Felizmente, e é a vontade de Deus, alguns
eventos e coincidências em minha vida me levaram ao Islã,” disse ele a um
auditório lotado no British Council.
Uma segunda coincidência importante
para Tawfiq foi sua decisão de deixar seu trabalho no Vaticano, um passo
seguido por uma viagem ao Egito.
“Costumava pensar no Egito como um país
das pirâmides, camelos, areia e tamareiras. Na verdade peguei um vôo charter
para Hurghada.
Chocado ao descobrir que era semelhante
a algumas praias européias, peguei o primeiro ônibus para o Cairo e passei a
semana mais maravilhosa de minha vida.
Essa foi minha primeira introdução aos
muçulmanos e ao Islã. Notei que os egípcios são um povo gentil e doce, mas
também muito forte.
“Como todos os bretões, meu
conhecimento sobre os muçulmanos naquela época não passava do que ouvia na TV
sobre suicidas e combatentes, dando a impressão de que o Islã é uma religião de
problemas. Entretanto, ao chegar ao Cairo descobri o quanto essa religião é
bela. Pessoas muito simples vendendo coisas na rua abandonavam seu negócio e
direcionavam seus rostos para Allah e oravam no momento que ouviam a chamada
para oração vinda da mesquita. Têm uma fé forte na presença e vontade de Allah.
Oram, jejuam, ajudam os necessitados e sonham em viajar para Meca com a
esperança de viver no paraíso na vida futura,” disse.
“No meu retorno assumi meu antigo
emprego de ensinar religião. A única disciplina compulsória na educação
britânica é Estudos Religiosos. Ensinava sobre Cristianismo, Islã, Judaísmo,
Budismo e outras. Então todos os dias eu tinha que ler sobre essas religiões
para ser capaz de dar minhas aulas aos estudantes, muitos dos quais eram
refugiados muçulmanos árabes. Em outras palavras, ensinar o Islã me ensinou
muitas coisas.
“Ao contrário de muitos adolescentes
problemáticos, esses estudantes davam um bom exemplo do que um muçulmano pode
ser. Eram educados e gentis. Então se desenvolveu uma amizade entre nós e eles
perguntaram se podiam usar minha sala de aula para orações durante o mês de
jejum do Ramadã.
“Felizmente, minha sala era a única com
um tapete. E assim me acostumei a sentar nos fundos, observando-os orar por um
mês. Procurei encorajá-los a jejuar durante o Ramadã jejuando com eles, mesmo
não sendo ainda um muçulmano.
“Uma vez, enquanto recitava uma
tradução do Alcorão sagrado na aula, cheguei ao seguinte versículo:
“E, ao escutarem o que foi revelado ao
Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes brotarem nos olhos; reconhecem naquilo a
verdade.”
Para minha surpresa, senti lágrimas em
meus olhos e tentei, com dificuldade, esconder de meus alunos.”
Evento abalador
A virada em sua vida, entretanto, veio
com as consequências dos ataques terroristas nos EUA em 11 de setembro de 2001.
“No dia seguinte estava no metrô e
notei o quanto as pessoas estavam aterrorizadas. Eu também estava com medo da
repetição de tais atos na Grã-Bretanha. Na época os ocidentais começaram a
temer essa religião, que culpavam pelo terrorismo.
“Entretanto, minha experiência anterior
com os muçulmanos me levou para uma direção diferente. Comecei a pensar: ‘Por
que o Islã? Por que culpamos o Islã como uma religião pela ação de terroristas
que por acaso são muçulmanos, quando ninguém acusou o Cristianismo de
terrorismo quando alguns cristãos agiram da mesma forma?
“Um dia fui para a maior mesquita em Londres,
para ouvir mais sobre essa religião. Ao chegar à Mesquita Central de Londres,
lá estava Yusuf Islam, o ex-cantor pop, sentado em um círculo falando com
algumas pessoas sobre o Islã. Pouco depois, me peguei perguntando a ele: ‘O que
se faz para se tornar um muçulmano?’
Ele respondeu que um muçulmano deve
acreditar em um Deus, orar cinco vezes ao dia e jejuar durante o Ramadã. Eu o
interrompi dizendo que acreditava em tudo isso e tinha até jejuado durante o
Ramadã. Então ele perguntou: ‘O que está esperando? O que o detém?’ Eu disse:
‘Não, eu não pretendo me converter.’
“Naquele momento foi feito o chamado
para a oração e todos se prepararam e se alinharam para orar.
“Sentei no fundo, e chorei e chorei. Então
disse a mim mesmo: ‘A quem está tentando enganar?'
“Depois que terminaram suas orações,
fui até Yusuf Islam e pedi a ele que me ensinasse as palavras através das quais
eu anunciaria minha conversão.
“Depois de explicar seus significados
para mim em inglês, recitei depois dele em árabe que não há deus exceto Allah e
que Muhammad é o Mensageiro de Allah,” relata Tawfiq, segurando suas lágrimas.
‘Jardins do Islã’
Dessa forma sua vida tomou um curso
diferente. Vivendo no Egito, Tawfiq escreveu um livro sobre os princípios do
Islã.
Ao explicar por que ele escreveu seu
livro Jardins de Deleite: uma Introdução Simples ao Islã, Tawfiq ressaltou que
todos dizem que o Islã não é uma religião de terrorismo e ódio, mas ninguém
tenta explicar o que é.
“Então decidi escrever esse livro para
dar aos não-muçulmanos uma idéia sobre os princípios básicos do Islã. Tentei
dizer às pessoas como o Islã é belo e que o Islã tem os tesouros mais
extraordinários, dos quais o mais importante é o amor que os muçulmanos sentem
uns pelos outros. O Profeta diz ‘Até um sorriso para seu irmão é uma caridade.’
Tawfiq disse à Gazeta que está
trabalhando em um livro sobre o Profeta Muhammad [que a misericórdia e bênçãos
de Deus estejam sobre ele] que ele considera que será diferente dos muitos
livros já escritos sobre ele.
Ele acha que “o caminho melhor e mais
rápido” de informar o mundo com a imagem verdadeira do Islã é dar um bom
exemplo na vida real.