O que o Islã diz sobre as crianças (parte 2 de 5): Filhos são bênçãos, não bens

O Islã é uma religião holística que cobre todos os aspectos da vida.  As necessidades espirituais, emocionais e físicas são tratadas igualmente e uma não é mais importante que a outra.  Para uma pessoa ser espiritualmente saudável, as necessidades emocionais e físicas precisam receber atenção.  Isso não está restrito aos adultos. Os direitos e necessidades das crianças são de importância fundamental.  Como descobrimos no artigo anterior, os direitos das crianças começam até antes da concepção.

Quando um homem e uma mulher tomam a decisão de se casar e começar uma família, estão assegurando os direitos futuros de seus filhos.  O profeta Muhammad, que Deus o exalte, aconselhou seus companheiros e a todos os crentes a fazerem a seguinte súplica a Deus antes de terem relações sexuais: 

"Começo com o nome de Deus!  Ó Deus! Proteja-me de Satanás e proteja o que nos conceder (nossa descendência) de Satanás."[1]

Quando uma criança é concebida é importante lembrar que isso é um encargo de confiança vindo de Deus. Embora a criança certamente seja uma bênção, ela não é um bem.  Tem direitos que Deus concedeu e que devem ser observados. Durante a gravidez, os pais devem se preparar para a nova chegada.  A mãe deve se cuidar comendo alimentos corretos, tendo o descanso exigido e buscando ajuda médica quando necessário.  A preparação para o nascimento também inclui lembrar-se de Deus e buscar Seu auxílio.

‘Ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência, porque és Exorável, por excelência..." (Alcorão 3:38)

"Ele foi Quem vos criou de um só ser (Adão) e, do mesmo, plasmou a sua companheira (Eva), para que ele convivesse com ela. E, quando se uniu a ela (Eva), injetou-lhe uma leve carga que nela permaneceu; mas quando se sentiu pesada, ambos invocaram Deus, seu Senhor, dizendo: Se nos agraciares com uma digna prole, contar-nos-emos entre os agradecidos." (Alcorão 7:189)

"Senhor nosso! Faze com que as nossas esposas e a nossa prole sejam o nosso consolo, e designa-nos imames dos devotos." (Alcorão 25:74) 

Os muçulmanos acreditam que todas as crianças nascem submissas a Deus, o que significa que nascem inclinadas a amar e adorar somente a Deus.  Em suas tradições, o Profeta Muhammad, que Deus o exalte, deixou isso muito claro.  Disse que toda criança nasce com sua natureza verdadeira (o Islã) e que seus pais podem escolher dar a ela uma religião diferente daquela da submissão ao Deus Único.[2]

Quando uma criança nasce, é motivo de muita felicidade e celebração.  No Islã não há preferência por menino ou menina.  O Alcorão diz que tanto o homem quanto a mulher foram criados de uma única pessoa (Adão) e que são iguais exceto em piedade e virtuosidade.

"E Deus disse: ‘Ó humanos, temei a vosso Senhor, que vos criou de um só ser (Adão), do qual criou a sua companheira (Eva) e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres.’" (Alcorão 4:1)

O Islã foi revelado em uma época em que os árabes praticavam o infanticídio e com frequência enterravam suas filhas vivas. Era uma prática ignorante e o profeta Muhammad afirmou de forma inequívoca que as meninas eram uma bênção e que educá-las para ser crentes virtuosas é uma fonte de grande recompensa.

"Quando a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha, o seu semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva? Quem péssimo é o que julgam!" (Alcorão 16:58 & 59)

 Também aprendemos muito sobre a visão islâmica das crianças a partir de Aisha, a esposa amada do profeta Muhammad.  As tradições narradas por ela mostram claramente que os meninos não devem ter preferência sobre as meninas e que educar filhas é fonte de grande recompensa.

Uma mulher, junto com suas duas filhas, veio até mim pedir caridade, mas eu não tinha nada exceto uma tâmara, que dei a ela. Ela dividiu a tâmara entre suas duas filhas, não comeu nada, levantou e saiu. Então o profeta entrou e o informei sobre essa história. Ele disse: "Quem educa filhas e as trata generosamente (com benevolência), então essas filhas lhes servirão como um escudo contra o Inferno."[3]

"Quando uma criança nascia, Aisha não perguntava se era menino ou menina.  Ao invés disso, perguntava: "A criança é saudável (e sem deficiência)?" Se a resposta fosse "sim", ela dizia Todos os louvores são para Deus, o Senhor de todos os Mundos."

Quando o grande dia chega, uma nova vida se junta ao mundo imperfeito.  É colocada nas mãos de seus pais e passa a ter ainda mais direitos.  O Islã determina muito claramente que há maneiras de dar as boas vindas e lidar com bebês e crianças.  Elas têm direito ao atendimento de suas necessidades físicas e emocionais e a receberem ensinamentos sobre como adorar, amar e manter a conexão com Deus.

Os pais, família estendida, guardiães e a comunidade muçulmana como um todo receberam esse encargo, uma pequena vida completamente dependente de proteção e cuidado de seus cuidadores.  Para muitas crianças o mundo está imerso em terror.  Fome, dor, sofrimento, tortura, abuso sexual e outros horrores são as realidades da vida.  Quando suas pequenas tentativas de alcançar conforto são rejeitadas ou seus lamentos silenciados, Deus está observando e os anjos estão registrando.

Na parte 3 discutiremos as maneiras de dar a um recém-nascido as boas vindas ao mundo e ao Islã.


NOTAS DE RODAPÉ:

  1. Saheeh Al-Bukhari
  2. Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim
  3. Narrado por Aisha de Saheeh Al-Bukhari


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