Proteção Ambiental no Islã (parte 3 de 7): A Conservação de Elementos Naturais Básicos - Água

Deus fez da água a base e origem da vida.   Deus diz:

“...criamos todos os seres vivos da água...” (Alcorão 21:30)

Plantas, animais e o homem dependem todos da água para sua existência e para a continuação de suas vidas.  Deus disse:

“...na água que Deus envia do céu, com a qual vivifica a terra...” (Alcorão 2:164)

“É Ele Quem envia a água do céu. Com ela, fizemos germinar todas as classes de plantas…”  (Alcorão 6:99)

“E observai que a terra é árida; não obstante, quando (Nós) fazemos descer a água sobre ela, move-se e se impregna de fertilidade, fazendo brotar todas as classes de pares de viçosos (frutos).” (Alcorão 22:5)

“Enviamos do céu água pura, para com ela reviver uma terra árida, e com ela saciar tudo quanto temos criado: animais e humanos.” (Alcorão 25:48-49)

Deus conclamou o homem a apreciar o valor dessa fonte tão essencial de vida:

“Haveis reparado, acaso, na água que bebeis?  Sois vós, ou somente somos Nós Quem a faz descer das nuvens?  Se quiséssemos, fá-la-íamos salobra. Por que, pois, não agradeceis?” (Alcorão 56:68-70)

“Dize: Que vos parece? Se a vossa água, ao amanhecer, tivesse sido toda absorvida (pela terra), quem faria manar água potável para vós?” (Alcorão 67:30)

Além dessa função vital, a água tem outra função sociorreligiosa a realizar, que é a purificação do corpo e roupas de toda a sujeira e impurezas para que o homem possa encontrar Deus limpo e puro.  Deus disse no glorioso Alcorão:

“...enviou-vos água do céu para, com ela, vos purificardes...” (Alcorão 8:11)

Deus também nos mostrou outras funções da água dos lagos, mares e oceanos.  Fez dela o habitat de muitos seres criados que desempenham papéis vitais na perpetuação da vida e desenvolvimento desse mundo.  Deus disse:

“E foi Ele Quem submeteu, para vós, o mar para que dele comêsseis carne fresca e retirásseis certos ornamentos com que vos enfeitais. Vedes nele os navios sulcando as águas, à procura de algo de Sua graça; quiçá sejais agradecidos.” (Alcorão 16:14)

“Está-vos permitida a caça aquática; e seu produto pode servir de visão, tanto para vós como para os viajantes.”  (Alcorão 5:96)

Não há dúvida que a conservação desse elemento vital é fundamental à preservação e continuação da vida em suas várias formas, vegetal, animal e humana.  Também é obrigatório, na lei islâmica, que o que quer que seja indispensável para atender a obrigação imperativa de preservar a vida seja, em si, obrigatório.  Qualquer ação que obstrua ou impeça as funções biológica e social desse elemento, seja pela sua destruição ou poluição com qualquer substância que a torne um ambiente inadequado para as coisas vivas ou impeça de alguma forma sua função como base da vida; esse tipo de ação necessariamente leva ao impedimento ou ruína da vida em si e o princípio jurídico é: “o que quer que leve ao proibido é em si proibido.”

Devido à importância da água como base da vida, Deus fez seu uso o direito comum de todos os seres vivos e todos os seres humanos.  Todos têm direito a usá-la sem monopólio, usurpação, espoliação, desperdício ou abuso.  Deus ordenou com relação ao povo de Tamude e seus camelos:

“E anuncia-lhes que a água deverá ser compartilhada entre eles...” (Alcorão 54:28)

e o Profeta disse:

“Os muçulmanos devem compartilhar essas três coisas: água, pasto e fogo.”[1]

A extravagância no uso dá água é proibida; isso se aplica ao uso particular e também público e se a água é escassa ou abundante.  É relatado que o Profeta passou por seu companheiro Sa’d, que estava se lavando para a oração, e disse:

“Que desperdício é esse, ó Sa’d?”

“Há desperdício na lavagem para oração?”  perguntou Sa’d e

ele disse: “Sim, mesmo que você esteja em um rio de água corrente!”[2]

A longa experiência de juristas muçulmanos na alocação de direitos sobre a água em terras áridas suscitou um exemplo notável de uso sustentável de uma fonte escassa; um exemplo que é de relevância crescente em um mundo em que recursos que antes eram abundantes estão se tornando progressivamente mais escassos.

FOOTNOTES:

  1. Abu-Dawud , Ibn Majah e al-Khallal .
  2. Ibn Majah .


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